sábado, 29 de maio de 2010

Final de "Alice no País das Maravilhas" por Chapeleiro e Coelho

Nádia Filipa Simões Eloy

Nº18 10ºC

Numa tarde de Inverno demasiado quente, estavam sentados um Chapeleiro Louco e um Coelho conversando debaixo de uma árvore sobre coisas estranhas.

- Ouve lá Coeeeelho, o que é que goshtavash de contar she pudesshes eshcrever o final da Hishtória do Lewish? Aquele maluco ouviu a hishtória da Aliche e deu o final feliiiz apenash a ela, e nósh, fomosh eshquecidosh e não lembradosh e eshquecidosh! Já disshe não lembradosh?!

- Não sei, querido chapeleiro, mas digo-lhe que estou a pensar seriamente se estarei atrasado ou não para o encontro formal que tenho com a nossa estimada amiga lebre. Se me permite, gostaria de me ausentar. – Responde o coelho.

- NÃO PODE SHER NÃO SHENHOR! Vamosh lá falar a meshma língua, eshtá bem? O combinado era apenash shairmosh daqui quando eshtivesshemos terminado a hishtória para mandar para aquele maluquiiiinho mudar o final. É um maluquiiiinho, mash meshmo. Não podemosh deixaaaar que aquele maluquiiinho nosh inclua shem nosh dar um final importante. Já te disshe que ele é MALUQUIIINHO?!

E o chapeleiro continuou. O Coelho, já cansado de tanto o ouvir durante uma eterna meia hora, acabou por cair no sono e repousou. Sonhou com o dia em que Alice os visitou e sorria, sorria enquanto dormia.

Nesse sonho, a menina levou o para o seu mundo, apenas para lhe dar a conhecer a sua família e a sua casa, ela queria o lá para lhe trazer todas as manhãs o correio e o jornal. O coelho ficou muito contente. Apesar de ser um coelho real, não se importava de o fazer por Alice, pois o amor que ele tinha por ela era imenso. A sua amizade era bela, sonhava poder trazer tudo o que a menina quisesse de manhã e brincar com ela o resto da tarde. Certamente à noite, ela dar-lhe ia um chá como se servia no País das Maravilhas e aconchegava-o numa cama grande e felpuda para que ele pudesse descansar.

Numa manhã agitada, já de volta à escola, Alice teve de deixar o coelho a dormir sem se despedir dele. Quando o coelho acordou e deu com a casa vazia, apenas com a Dinah por perto, sentiu-se assustado, muito mas muito assustado. Será que a Alice o tinha deixado?

Era Inverno, a casa estava cada vez mais escura, nenhum sinal da menina por perto. Era a hora de brincar e nenhum sinal de Alice, nenhum.

Era a hora do banho e nenhum sinal de Alice, nenhum.

Entra a mãe de Alice e diz que o jantar será Coelho Salteado e o pobre coelho assustado começa a pensar em todas a bolachinhas que a Alice lhe pedia que comesse, em todas as tartes de cenoura com mel que a sua mãe fazia especialmente para si e, dá conta de que tudo foi um plano para o poder COZINHAR!

Nisto, assustado, o Coelho acorda. Dá de caras com o louco do Chapeleiro a olhá-lo bem de perto.

- Então, Coelho? Quem olha para ti pensha que shó por acaso eshtavash a dormir e acordashte com um pesadelo. Ah ah ah!

O Coelho nem se pronunciou. Estava demasiado abalado para isso. Mas pensou:

«Se contar a este louco o meu sonho até à parte de que gostei, pode ser que me faça o obséquio de escrever a carta ao Lewis e me deixe ir embora.»

- Ora, Chapeleiro, quer que lhe diga um bom final para a minha personagem lá no livro do Sr. Lewis? Então cá vai.

E contou a história deixando o Chapeleiro boquiaberto.

- … ou seja, fui morar com a Alice como seu servente, e fomos felizes para sempre. Que tal? Está óptimo não está? Que posso eu dizer? Mentes brilhantes, mentes brilhantes. Ora, agora se me permite, tenho um compromisso para o qual estou imensamente atrasado. Se a rainha descobrir mais este atraso, CORTA ME A CABEÇA. Cumprimentos, cavalheiro.

O Chapeleiro não o impediu.

- Com que então o coelho queria ficar com a Aliche shó para ele, heiiiin? É tão maluquiiinho e maluquiiinho como o Lewish! – Disse para ele.

Retirou-se para um local mais indicado e começou a escrever:


De: Chapeleiro LOOOOUCO

Para: Eshtimado Shenhor Lewish Carroll

Paísh dash Maravilhash, não shei o dia nem o mêsh de 2010

Querido Lewish Carroll, é muito chateado que venho falar conshigo poish não goshtei do final que deu ao livro da hishtória que a Aliche lhe contou.

Venho por eshte meio pedir-lhe que mude o meu e o final do Coelho, poish é uma falta de reshpeito, de dechência e de reshpeito. E de dechência também.

O coelho goshtava de ir morar com a Aliche e de lhe ir bushcar o correio, o jornal e o correio todash ash manhãsh e sher feliz pra shempre.

Eu goshtava apenash que a malucaaaaa da Rainha de Copash fosshe eshtraviada para o pólo norte e de ficar nash minhash festash loucash com a lebre a beber o chá dash cinco todo o dia.

Shei que sherá posshivel, porque o shenhor é tão maluuuuuuco como eu. Ah ah ah!

Veja she faz maish uma hishtória nossha e dá um final maish feliz àsh pershonagensh.

Muitosh abrachinhosh com chá do

Chapeleiro LOUUUUUUUUCO


E assim terminou a tarde de Inverno com o Chapeleiro Louco e o Coelho.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Por mim, o fim era assim

... Coelho ...

Alice desiste

Saturada de tanta incoerência e maluqueira, Alice foge. Corre sem destino, tentando encontrar o caminho que a levasse de volta à Realidade…
No meio da paisagem surge-lhe uma luz, vinda de cima. Era o buraco por onde tinha entrado, mas o buraco estava alto, muito alto. Só tinha uma solução: recorrer às poções mágicas à sua disposição.
Não foi preciso muita procura para encontrar uma garrafa com um líquido que a faria aumentar. Mas desta vez Alice não tinha quem a guiasse e as suas experiências anteriores não tinham sido suficientes para Alice aprender a lidar com os poderes que tinha à sua disposição. Na sua ânsia de fugir, na sua sofreguidão e desejo de liberdade, Alice bebe imensa poção, alcançando um tamanho perigoso: suficientemente grande para alcançar a Realidade mas o não o suficiente para o passar na totalidade!

Sem ninguém que a ajude, Alice acaba por desfalecer, presa no buraco. Aos poucos e poucos, sozinha, Alice desiste de lutar. Tudo fica longe e escuro, muito escuro…
A partir desse dia, nunca mais a vi, as saudades apertavam e nada podia ajudar a esquecer toda aquela aventura. Agora eu tornei-me muito mais lento, com tanta pressa não tinha tempo para estar com Alice, minha querida Alice. Pois bem agora decidi mudar.
Mudar e para melhor, quero ter mais calma, poder desfrutar de tudo a que tinha direito.
Obrigado por tudo Alice… É pena ter-me apercebido tão tarde, mas afinal mais vale tarde do que nunca!

... Chapeleiro Louco ...

A grande conquista

No jardim do País das Maravilhas, tinha sido plantada uma roseira de rosas brancas, cor que a Rainha odiava. Para evitar a irritação da Rainha, as cartas pensaram que a solução seria pintar as rosas brancas de vermelho, de modo a esconder a verdade.

Estavam eles nessa pintura, quando a Rainha se aproxima. Ela não podia perceber o que se estava a passar, muito menos saber quem eles eram! Para se confundirem, as cartas deitam-se então no chão, de costas voltadas para cima, mostrando-se assim todas iguais, impossibilitando a sua identificação.

Apesar dos esforços da Rainha, não os consegue identificar. Pede ajuda a Alice, que se recusa a dar-lhe qualquer pista, o que a enfurece a ponto de ordenar a sua decapitação... Mas o Rei, cansado da atitude da Rainha, suspende a ordem da Rainha, chamando a atenção para o facto de Alice ser uma criança.

Havia já algum tempo que, das imensas sentenças de morte ordenadas pela Rainha, poucas pessoas o eram realmente. Em segredo, o Rei perdoava a muitos condenados, sendo por isso reconhecido e acarinhado, ao contrário da Rainha, a quem todos temiam.

Aproximava-se mais um julgamento: o Valete de Copas era acusado de roubar as tortas da Rainha. O Rei era o Juíz e como testemunhas apresentámo-nos, eu, o Chapeleiro Louco, a cozinheira da Duquesa, e a própria Alice, que, entretanto, resultado de umas bolachinhas mágicas, ia aumentando de tamanho… Mas aumenta tão rapidamente que o facto não passa despercebido ao Rei que acaba por ordenar a sua saída, cumprindo o determinado num artigo do seu caderno. Menina de acatar poucas ordens, Alice não concorda com a decisão e recusa-se a sair. Está lançada a confusão e um nova discussão.

Ponto a ponto, aliás, Alice enumera inúmeras incoerências daquele tribunal, o que devidamente analisado o anulava…Contrariada com o atrevimento de Alice, a Rainha ordena uma vez mais: - Cortem-lhe a cabeça! - mas o Rei, com sentido de justiça, reconhece que Alice tem razão. Satura-se definitivamente da posição da Rainha e ordena-lhe que se cale.

A vida no País das Maravilhas tinha que mudar. Os seus habitantes tinham que ser acarinhados, apoiados e defendidos, não aterrorizados!

Ninguém queria acreditar! O impensável estava a acontecer! Finalmente o Rei assumia as suas responsabilidades.

Contentes com a coragem do Rei, todas as cartas e habitantes do País das Maravilhas o aclamaram.

Todos os habitantes acompanharam Alice até ao caminho de saída para a Realidade. O rei, demonstrando a sua gratidão, proclama Alice persona mui grata e convida-a a visitar o país sempre que o deseje, com a certeza, porém, de que será sempre bem vinda.

Há muito que não se vivia um ambiente tão feliz no País das Maravilhas.

Sara Simões

10º C – nº 21


Crítica do filme Alice in Wonderland

Precisamos crescer: quando entramos na escola, no secundário, e mais tarde na faculdade. Vamos aprendendo a ser adultos e, muitas vezes, precisamos repetir alguns ciclos, porque chegamos à conclusão de que os ciclos que vivemos antes não foram suficientes ou serviram apenas aqueles momentos. Crescer faz parte da condição humana e é a essência da história de Alice no País das Maravilhas.

Não é novidade que alguns dos grandes sucessos do cinema são adaptações de sucessos literários. Numa das últimas saídas em grupo do 2º período, tivemos a oportunidade de assistir a um desses casos: o novo filme da Disney, dirigido por Tim Burton, um dos maiores cineastas actuais, baseado no clássico “Alice no País das Maravilhas” de Lewis Carroll.

O ambiente era de grande expectativa e curiosidade, não só devido aos trailers disponíveis do filme, mas também pelo conhecimento do livro sobre a qual temos vindo a trabalhar ao longo deste ano lectivo.

Tal como no livro, a acção do filme desenrola-se em torno das aventuras da jovem Alice. No filme Alice surge, não como uma criança, mas como uma jovem com 19 anos, que vive em Londres, no final do século XIX, que por ter perdido o pai se vê na contingência de ter que aceitar um casamento acordado pela sua madrasta, o que a leva a entrar em pânico e, consequentemente, a fugir. Tal como tinha acontecido quando era criança. Durante a sua fuga, cai numa toca de um coelho, tendo a oportunidade de rever os seus amigos de infância: o Coelho Branco, Tweedledee e Tweedledum, a Ratazana, a Lagarta, o Gato Cheshire, e, claro, o Chapeleiro Louco. Alice embarca numa viagem para encontrar o seu verdadeiro destino e acabar com o reino de terror da Rainha Vermelha. Durante essa viagem, aprende a conhecer-se a si própria e adquirir auto-confiança para poder voltar à vida real. Alice está pronta a voltar ao seu mundo, quando se vê perante a ameaça de morte: ou mata ela ou é morta. Como quando precisamos de deixar coisas ou relações que nos fazem mal: ou nós as matamos ou são elas que nos matam.

Ao escrever o livro, Lewis Carroll dirigiu-se, acima de tudo, à imaginação do leitor. Tim Burton recorreu à sua própria "imaginação de leitor" e construiu as suas próprias personagens, dando ênfase à dimensão mais perturbante de toda a história: o absurdo e a loucura das personagens, num misto de ternura e loucura. No filme, os monstros têm coração; os loucos, lucidez. A Rainha Vermelha é má, porque sofre de solidão e pelo facto de negar a sua condição física. Os outros personagens nem têm esse tipo de problema – riem de si mesmo e das suas limitações. O cineasta deu-lhes vida, humanizou-os, garantindo-lhes uma força extraordinária, sendo essa, na minha opinião, a grande virtude do filme.

Estas personagens, por sua vez, movem-se num mundo que de maravilhoso pouco ou nada tem. Quase que seria mais apropriado o título do filme ser “Alice no País dos Horrores”… O País das Maravilhas, ou seja, o outro lado do espelho, não passa de um inferno, estranho, distorcido, que não foi feito para agradar. E isso é-nos transmitido em parte pela paisagem, que muitas vezes se mostra sinistra, e pelo céu, que aparece sempre muito cinzento. É um reino onde os “sonhos” são “pesadelos”.

A nível visual, o filme é simplesmente fascinante. A criatividade não tem limites, sendo-nos dadas inúmeras sequências extraordinárias, do ponto de vista estético e visual. O filme beneficia da utilização das tecnologias mais avançadas, imensos efeitos especiais e truques de produção, embora recorra pouco ao sistema 3D, o que pode ser uma desilusão para muitos, embora na minha opinião a racionalização da utilização da técnica seja benéfica não só porque a torna menos cansativa, mas também porque leva o espectador a focalizar-se e dar mais valor ao trabalho das personagens. Aliás, é engraçado reparar que o relevo chega a ser anulado, ou seja é feito "2D" dentro do "3D", quando os corpos dos actores são transformados em silhuetas planas. É divertido e, na minha opinião, inteligente!

Acompanhado por uma música marcante, embora não excepcional, o filme reflecte o mundo real naquilo que podemos classificar como uma mistura magistral entre um conto de fadas e uma história de terror. Transmite-nos uma mensagem quanto à “muiticidade” (muchness no original) que todos nós temos em crianças e que vamos perdendo à medida que vamos crescendo.

Quando volta a este mundo, Alice já não é a mesma jovem que fugiu: é outra que se ausentou pelo tempo necessário para ganhar maturidade e ser capaz de tomar uma decisão importante. É uma Alice que ouviu o que aqueles seres tinham a dizer e enfrentou os seus fantasmas: exactamente os mesmos que encontra no mundo real. Afinal o País das Maravilhas é habitado por seres que correspondem às pessoas da sua vida normal. Afinal o País das Maravilhas não é senão o seu próprio mundo interior. Conhece-se, é reconhecida e pode dar-se a conhecer: está pacificada. Por isso, volta confiante e pronta a enfrentar as consequências da sua decisão. No seu mundo interior, conseguira matar o monstro da Rainha Vermelha; no mundo exterior, a futura sogra perdeu a força com que subjugava Alice; e o pretendente, a sua noiva. A paz voltou ao País das Maravilhas. Alice tornou-se uma mulherzinha.

A mensagem adapta-se a todos nós. Perdemo-nos, muitas vezes sem perceber que o fazemos. Alguns, um dia por acaso, encontram-se. Recuperam essa ausência de temeridade infantil e a sua “muiticidade”: aprendem a enfrentar os seus medos, os seus inimigos e até a contrariar conselhos de amigos seus.

Neste aspecto o filme, mais adequado a adultos do que a crianças, é ideal para quem for de mente aberta e esteja disposto a se deixar maravilhar.


Sara de Albuquerque Simões

2009/2010

10º C – nº 21

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Crítica do Filme "Alice no País das Maravilhas"

Alice no País das Maravilhas, do realizador Tim Burton, leva-nos a um outro mundo, deslumbrante, cheio de fauna e flora, repleto das personagens mais doces, loucas e inesquecíveis, não esquecendo que o 3D enaltece ainda mais a beleza dos cenários e a espectacularidade da película. Nesta versão de Burton, Alice (Mia Wasikowska) encontra-se nos últimos anos da sua adolescência, estando por isso a passar por uma fase em que procura um rumo, uma identidade própria e segura e onde a dúvida predomina no seu quotidiano.

A visita que ela fez ao Reino das Maravilhas, enquanto criança não passava agora de simples “flashback”. Depois de perder o pai, Alice vê-se confrontada com a obrigação de arranjar um bom partido, um Lorde inglês, que não ama. Impulsionada pela mãe e restantes familiares a aceitar o pedido de casamento, sente-se perdida e decide fugir para o jardim onde a festa de noivado deveria decorrer.

É ali que volta a deparar-se com o pequeno coelho branco e, sem hesitar, decide persegui-lo até uma toca escura e profunda. Após a queda na toca do coelho, Alice vai regressar ao Reino das Maravilhas para, aos poucos, descobrir que este está muito diferente desde a última vez que o havia visitado. Agora, a Rainha Vermelha (Bonham Carter) aterrorizava o povo de forma impiedosa.

Regressada a um mundo do qual não se lembra, Alice encontra no Chapeleiro Louco (Johnny Depp) uma verdadeira, pura e confiante amizade que lhe dá coragem para enfrentar o ameaçador dragão da Rainha Vermelha a fim de derrotá-la, devolver a coroa à amável e bondosa Rainha Branca (Hathaway) e assim devolver a paz e a prosperidade a este autêntico mundo encantado.

Porém, apesar deste mundo fascinante a que Burton deu vida e, que nos cativou, a qualidade do argumento não nos satisfaz, perdendo força e interesse, pelas cenas demasiado previsíveis.

O seguimento que o realizador dá à história de Lewis Carroll é demasiado denso e dá-nos as respostas às questões, quando podia deixá-las a pairar no ar.

Sendo assim, atribuo três estrelas e meia ao filme.

Daniela Rosa

10ºC nº8


Um fim diferente para a história da Alice segundo…



…o Coelho



Alice, no momento em que a rainha ordenou decapitarem-lhe a cabeça, pegou num pedaço de cogumelo que lhe sobrara e… e… e atchimmm! Tudo voava pela sala e Alice saiu direitinha pela janela caindo em cima do canteiro de rosas, espalhando tinta vermelha por todo o lado. TIC-TAC-TIC-TAC (20 segundos), o tempo corre. Vamos lá, depressa!
Ao fugir, ela foi pedir ajuda ao gato mas este, com um grande sorriso, desapareceu. Quando decidiu pedir ajuda ao chapeleiro louco e à lebre, eles disseram-lhe que estavam muito ocupados a fazer chá e, quando foi à minha procura, eu não estava lá, porque estava atrasado. Porém, Alice não se apercebeu das pegadas que estava a deixar, correndo o risco de ser apanhada pela rainha. TIC-TAC-TIC-TAC (40 segundos).
Corri muito para a ajudar e, encaminhando-a para o buraco de onde tinha vindo, ensinei-a a voltar ao mundo dos adultos.
A rainha, ao encostar-se ao cogumelo da lagarta, para descansar, fumou um pouco do seu cachimbo, mas este continha erva do amor e, por isso, ela tornou-se uma mulher carinhosa e protectora. TIC-TAC-TIC-TAC (1 minuto).



…a Lebre


Alice bebeu chá e fugiu da rainha. A rainha bebeu chá e foi atrás da menina e o chá entornou-se e não tenho mais! Vou fazer mais!
Servi chá à Alice com um púcaro de açúcar, baralhei bem e enfiei-lhe na boca. Depois apareceram todos para cantar o feliz desaniversário e eu cantei, dancei e bebi chá. Amanhã virão todos para o cantar outra vez. O coelho sujou o colete e levou a Alice com ele, de volta para a cenoura onde vive. Havia muita diversão por aqui, uns fugiam para debaixo da mesa e outros cantavam karaoke em cima desta. A senhora despenteada que é maluca porque quer tudo vermelho bebeu muito chá e puff! Desapareceu. A menina Alice foi para o mundo louco dela e agora visita-nos sempre que cai nele outra e outra e outra vez. Vitória, vitória bebe chá e engole esta história!


Daniela Rosa/10ºC/nº8/28.04.2010

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Notícia


Sara Simões, Nº21, 10ºC

Por mim o fim era assim

O Regresso de Alice, segundo a crónica de sua irmã

Sara Simões, Nº21, 10ºC

Escrevo estas linhas para vos falar da grande alegria que foi o regresso da minha irmã Alice.
Sem conseguir esclarecer o que na realidade aconteceu, não posso deixar de vos dizer que foi com uma alegria enorme que reencontrámos a Alice, a dormir junto ao local de onde desaparecera.
Embora fisicamente saudável, estava cansada e psicologicamente confusa, verbalizando ideias um pouco absurdas. Com muito carinho, ouvimos a sua história cheia de personagens estranhas e bizarras: um Coelho Falante, uma Lebre, uma Lagarta, uma Tartaruga, Cartas de Jogar com vida, enfim… Mas houve uma coisa que me marcou. Segundo as suas palavras, durante o tempo que esteve desaparecida e conforme as situações, ela apresentava tamanhos diferentes; ou seja, umas vezes era enorme, gigante, outras era minúscula, como uma formiga…
Suponho que a minha querida irmã tenta encontrar a melhor maneira para crescer sem perder a infantilidade própria dos tenros anos que se recusa a deixar. Os especialistas, psicólogos e outros que se dediquem à análise desta história.
No que me diz respeito, acredito que a minha irmã vai envelhecer sem nunca deixar de ser criança, colocando imaginação e magia em tudo o que se passa à sua volta. Talvez seja mais feliz assim, quem sabe!

A paranóia do tempo

“Para onde vão os minutos?” Perguntou-me a menina Alice. “ Andam tão rapidamente como tu, coelho, quando andas nas correrias para o chá.”

Os minutos, esses correm, são certos e nunca se atrasam. São aqueles que nunca esperam por nós, por vezes massacram, por vezes acalmam, por vezes trazem saudade, por vezes prazer e até ignorância.
O tempo é aquele que não espera, é aquele que não mata mas por vezes mói, o tempo não corrige erros mas por vezes ajuda a emendar. Nem sempre o tempo nos acompanha, foge diante de sonhos, diante de momentos, diante de razões, palavras e acções.
É um espaço, vários períodos e extensões, combina com estações, com os anos, meses e dias. Ele abarca toda a gente e não se esquece de uma única pessoa, nem mesmo do mais insignificante ser e da mais repugnante pessoa.
O tempo é um guia, é mais que um contador. Sem o tempo, como seríamos sem o tempo?
Se o tempo esperasse por nós, se ele nos parasse quando precisamos, se remediasse todos os erros, se nos detivesse em cada momento, ou se até nós controlássemos o tempo, penso que andaríamos todos à deriva, sem um “norte” a seguir, e o tempo, esse, pouco significaria.
Por isso, em vez de pensarmos e sonharmos que um dia poderíamos controlar o tempo, devemos torná-lo nosso cúmplice, encará-lo como uma dádiva da vida, como uma bússola de sorte ou azar dependendo dos pontos de vista. Porque o tempo não é um inimigo é, pois, a perfeita imperfeição humana, que o torna desastroso.
Sejam perspicazes e reflictam perante o provérbio “O tempo pergunta ao tempo, quanto tempo o tempo tem, o tempo responde ao tempo que o tempo tem tanto tempo, quanto o tempo tem.”

Crónica de David Hilário, Nº9, 10ºC

Carta do Coelho a Alice

David Hilário, Nº9, 10ºC

Coelho
Vale dos lençóis encantados, nº347 , 411ª toca esq.
Ummaisum-dois País das maravilhas

Irrequieta Alice,
Tenho estado a olhar as paredes movediças da minha toca, que hora a hora muda e hora a hora o cuco toca, o cuco põe-me maluco, pois não se cala nem atirando muco, estou farto deste maldito relógio de parede que tic-tac não faz e o seu ruído até sede me dá, preciso de ajuda, Alice.
Numa das nossas correrias, eu saltava e tu, desnorteada, te rias, numa das nossas brincadeiras de esconde-esconde onde me camuflava e tu não sabias onde, numa das nossas aventuras, andava eu atrasado para o chá que arrefecia a cada minuto que me procuravas, perdi o meu precioso relógio, oferecido por um jovem rapaz que há milhões de séculos havia passado também por este encantado país das maravilhas, e que me acompanhava a cada compromisso.
Não sei que fazer, já procurei até dentro do chapéu de volume do Chapeleiro, sei que és menina pequena, mas sei também que conheces todos os recantos deste grande país, por isso, peço-te pelo ponteiros de rolexandri, minha incansável amiga, ajuda-me a encontrar o meu querido relógio atrasado, sem ele não consigo mais chegar a horas.
Aproveito ainda para te contar umas novidades. Enquanto escavava um buraco novo para criar uma loja de bules, encontrei uma toupeira pela qual me tenho vindo a interessar. Se me ajudares a encontrar o relógio, eu preparo um chá para pôr a conversa em dia.
Obrigado pela atenção minha despassarada amiga, e desculpa incomodar-te.

Uma pata-da-sorte do teu desvairado amigo coelho

Coelho Patas de Serpente
08-07-4119


P.s.: Acima de tudo sê magicamente feliz